sábado, 9 de novembro de 2013

Divisão Celular

Éramos um.
Um único organismo, filho do Amor e da Paixão.
A Paixão depressa se cansou de viver enclausurada e decidiu partir, sem deixar rasto. O Amor, persistente, foi ficando, ficando, numa incessante busca de algo que o impedisse de partir também: esperava que chegasse o dia de uma Meiose simbólica.
Esse dia não chegava, viviam-se tempos de Interfase, uma aparente estagnação enganosa em que se formavam duas vontades desarmónicas, num corpo só.
Certo dia o núcleo, que batia como um, dividiu-se em dois.
Foi no fatídico dia da Mitose.
Já não eram um, nem o mesmo, mas sim dois corpos diferentes, herdeiros da experiência comum, em busca de algo que os preenchesse.






Sem comentários:

Enviar um comentário