quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Saudade

SAUDADE
-Qué será?... yo no sé... lo he buscado
en unos diccionarios empolvados y antiguos
y en otros libros que no me han dado el significado
de esta dulce palabra de perfiles ambiguos.

Dicen que azules son las montañas como ella,
que en ella se oscurecen los amores lejanos,
y un noble y buen amigo mío (y de las estrellas)
la nombra en un temblor de trenzas y de manos.

Y hoy en Eca de Queiroz sin mirar la adivino,
su secreto se evade, su dulzura me obsede
como una mariposa de cuerpo extraño y fino
siempre lejos -tan lejos!- de mis tranquilas redes.

Saudade... Oiga, vecino, sabe el significado
de esta palabra blanca que como un pez se evade?
No... Y me tiembla en la boca su temblor delicado.
Saudade...

Pablo Neruda

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

El Derecho al Delirio

O célebre escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, sempre acompanhado de uma enorme eloquência e lucidez, fala-nos dos problemas actuais vividos na América Latina e na Europa. Dou especial destaque para uma frase que profere, da autoria do seu amigo Fernando Birri, cineasta e teórico argentino. Assim respondeu Birri à pergunta "Para que serve a Utopia?":

Utopia [...] ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. Para que sirve la utopia? Para eso sirve: para caminar.

- Fernando Birri citado por Eduardo Galeano in Las palabras andantes‎

"A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se outros dois. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar".





sábado, 9 de novembro de 2013

Divisão Celular

Éramos um.
Um único organismo, filho do Amor e da Paixão.
A Paixão depressa se cansou de viver enclausurada e decidiu partir, sem deixar rasto. O Amor, persistente, foi ficando, ficando, numa incessante busca de algo que o impedisse de partir também: esperava que chegasse o dia de uma Meiose simbólica.
Esse dia não chegava, viviam-se tempos de Interfase, uma aparente estagnação enganosa em que se formavam duas vontades desarmónicas, num corpo só.
Certo dia o núcleo, que batia como um, dividiu-se em dois.
Foi no fatídico dia da Mitose.
Já não eram um, nem o mesmo, mas sim dois corpos diferentes, herdeiros da experiência comum, em busca de algo que os preenchesse.






quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Eram muitas vezes

Quando eu leio um livro vou absorvendo e juntando palavra por palavra, como numa tela escolhida por algum pintor impressionista, e crio assim na minha mente o universo do seu criador. As formas e cores que revela, são pelo criador ditadas, o resto cada um vai pintando a seu gosto, ao sabor do que cada um vive e conhece.

Essas palavras que fluem, a mensagem que se adensa, o quadro que se forma numa paisagem em constante movimento no nosso imaginário.

 O autor dá algo de si à sua obra e eu, como leitora, dou tudo de mim ao que ele escreve, ao seu mundo repleto de lugares e tempos e pessoas, de impressões, identidades, paixões, memórias, provocações, dificuldades, frustrações... 

Assim vou conhecendo o desconhecido, ou vou sendo lembrada do que esqueci, ou mesmo reviver o que vivi. 

Há livros que são como uma dança etérea! Nos braços dessas palavras sou transportada de cenário em cenário, imagem em imagem, num turbilhão de emoções, e que bom é saber que, apesar de ter só uma vida, através dos livros posso viver umas mil!